• Pe. Martinho Lenz

Várias religiões se unem pela Amazônia


O povo crente de diferentes confissões se reuniu na Colômbia em defesa da Amazônia, de seus povos e florestas. Religiões, espiritualidades e crenças da Colômbia assinam a primeira aliança entre religiões do mundo para proteger as florestas tropicais do desmatamento, segundo notícia publicada no site dos Jesuítas de América Latina, no dia 23 de novembro passado (El Espectador Amazônia). A Universidade Javeriana, de Bogotá, acolheu esse importante encontro. Durante três dias, diversos grupos indígenas passaram na Universidade Javeriana: Mamos da Sierra Nevada, os Kamsa, indígenas com a sua vestimenta tradicional, homens com kipá (solidéu tradicional judaica) e membros da Igreja ortodoxa... Monges foram convocados pelas Nações Unidas e outras articulações entre igrejas para harmonizar essa iniciativa inter-religiosa em plena floresta tropical. O encontro uniu religiões, povos, governos e sociedade civil para proteger as florestas tropicais e os direitos do que nela residem.

A aliança foi assinada pelas seguintes igrejas e religiões, as mais seguidas na Colômbia: Igreja Católica, a Episcopal Anglicana, Presbiteriana cristã, os povos indígenas da Amazônia (que são pelo menos 44), Islamismo, as comunidades Negras, Afro e Raizal, o Hare Krishna, Igrejas Evangélicas e os Ortodoxos Gregos. Martin von Hildebrand, fundador da Gaia Amazonas, com profundo conhecimento da Amazônia, colocou a questão nestes termos: se os grandes representantes das igrejas na Colômbia recebem a tarefa de expressar uma mensagem em pregação ambiental..., elas podem atingir bilhões de pessoas com uma eficácia que nenhuma outra organização possui. A professora Catalina González, da Universidad de los Andes, explicou que a Amazônia faz parte de uma conexão global. Muitos outros sistemas ecológicos dependem da umidade e da atmosfera da Amazônia.

A aposta dessa aliança é colocar o dedo na ferida: as religiões e crenças do mundo têm uma responsabilidade moral com o meio ambiente. Alguns já tomaram posição, como a Igreja Católica com a Encíclica Laudato Sì, de 2015, documento em que o Papa Francisco fala sobre a Terra como a "casa comum" e sobre os riscos da degradação ambiental... Outros estão nesse caminho. Jaime Barranco, da Igreja Pentecostal, disse que "a evangelização deve ser direcionada para o cuidado. Eu reconheço que nós não estávamos muito conscientes como igreja que antes de ir para o céu nós estamos aqui nesta terra. Já investimos bastante em programas ambientais e religiosos", acrescentou. Os povos indígenas, sem dúvida, levam milênios de vantagem sobre todos nós. "O recente relatório do IPCC diz que, se as atuais políticas sobre mudanças climáticas continuarem se arrastando, o planeta aumentará sua temperatura em 1,5º ainda esse século, provocando o desgelo de parte as calotas polares.

Pense nisso, enquanto recebemos com preocupação a núncio do presidente Bolsonaro de que o Brasil poderá não sediar a Conferência sobre o Clima prevista para acontecer aqui no ano que vem.


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