• Pe. Fabiano Xavier de Almeida

AMOR – MISERICÓRDIA


“Sede misericordiosos como vosso Pai do céu é misericordioso” (Lc 6,36)

Jesus faz da misericórdia um dos principais temas de sua pregação e da ação libertadora. Ensina com parábolas, porque estas exprimem melhor a própria essência das coisas. Como por exemplo, a parábola do filho pródigo (Lc 15,11-32), do bom samaritano (Lc 10,30-37) ou, por contraste, a do servo sem compaixão (Mt 18,23-35); o bom pastor que vai ao encontro e à procura da ovelha desgarrada (Lc 15,3-7), a mulher que varre a casa à procura da dracma perdida (Lc 15,8-10).

O conteúdo do conceito de “misericórdia”: a identidade de Deus. A compreensão desse conteúdo é a chave para se entender a própria realidade da misericórdia. Jesus, ao revelar o amor-misericórdia de Deus, exigia das pessoas que se deixassem guiar na vida pelo amor e pela misericórdia. Esta exigência faz parte da própria essência da mensagem de Jesus. Constitui a natureza do Evangelho. Jesus expressa isto por meio do “maior” mandamento e também sob a forma de bênção, ao proclamar no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).

A mensagem de Jesus sobre a misericórdia conserva sempre uma dimensão divino-humana. Jesus Cristo se torna encarnação do amor que se manifesta com intensidade em relação aos que sofrem, aos infelizes e aos pecadores. Torna presente e revela, desse modo, mais plenamente o Pai, que é Deus “rico em misericórdia”.

Jesus se torna modelo do amor misericordioso para todas as pessoas, para os justos e injustos, para os amigos e inimigos... Ele proclama por meio de Suas obras e palavras o apelo à misericórdia. Porque Ele visa atender os anseios mais profundos e vitais do ser humano. Revela a misericórdia do Pai para cada pessoa: “Os misericordiosos... alcançarão misericórdia”.

Na pregação dos profetas, a misericórdia significa uma especial força do amor, que prevalece sobre o pecado e sobre a infidelidade do povo eleito. Trata-se de uma experiência interior da pessoa que se encontra em estado de culpa, ou que suporta sofrimentos e desgraças de toda espécie.

O amor-misericórdia é a segurança de base do povo e de cada pessoa em particular. Pois, em todas as circunstâncias e em todas as situações de infidelidade pode invocar a misericórdia de Deus. Reconhecer o mal-pecado, arrepender-se e confiar-se à misericórdia de Deus, pedindo perdão. Deus se compadece e perdoa.

A misericórdia é o conteúdo da intimidade com Deus. É o conteúdo do diálogo com Deus.

Significado do conteúdo do conceito de “misericórdia”

Misericórdia: uma profunda atitude de bondade. Quando esta disposição se estabelece entre duas pessoas, estas passam a ser, não apenas benévolas uma para com a outra, mas, ao mesmo tempo, reciprocamente fiéis por força de um compromisso interior. Tal compromisso também se torna expressão de fidelidade para consigo mesmo.

Misericórdia também significa “graça” ou “amor”, origem e fonte da fidelidade. O “amor” se doa, se entrega e é mais potente do que a traição; a “graça” é mais forte do que o pecado. O perdão é fruto deste amor. A graça reconstitui a pessoa. Restabelece a aliança interior.

Outro conceito de misericórdia refere-se ao amor da mãe (seio materno). Do vínculo mais profundo e originário, ou melhor, da unidade que liga a mãe ao filho, nasce uma particular relação com ele, um amor particular. Tal amor é totalmente gratuito, não é fruto de merecimento. Sob este aspecto, constitui uma necessidade interior. É uma experiência do coração (sentir). Sobre este fundo psicológico, a “misericórdia” dá origem a diferentes virtudes e sentimentos, entre os quais a bondade e a ternura, a paciência e a compreensão, a disposição de prontidão para perdoar.

A misericórdia significa, também, a manifestação da graça que comporta uma constante predisposição de magnanimidade, de benevolência e de clemência.

Aproveitemos este tempo favorável para sermos homens e mulheres de misericórdia.

Referência bibliográfica:

A Divina Misericórdia. Carta Encíclica “Dives in Misericórdia” de João Paulo II. São Paulo: Paulinas, 1981


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