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  • Foto do escritorArquidiocese de Pelotas

DEUS “DESCENDIT” DO CÉU



O nascimento de Jesus na estrebaria deve ser entendido como luz que se derrama do céu através da escuridão do mundo e faz a manjedoura mergulhar em uma luz intensa e cálida. A manjedoura real é nada graciosa, como muitas vezes o fazem as representações folclóricas da manjedoura.

Não há nada de idílico. O decisivo no mistério do Natal é que Deus desceu ao nosso mundo, até a pobreza de um estábulo. A um lugar sujo, que cheira a esterco de animal, onde o vento açoita pelas frestas das tábuas e o teto mal consegue deter a chuva.

Certa vez, o grande psicólogo, C.G.Jung, disse que “deveríamos sempre considerar que Jesus nasceu em um estábulo e não em um palácio”. O reino de Deus, irrompidoem Jesus nascido na manjedoura de um estábulo, começa nas coisas pequenas; sua força é o amor e não o poder. E, porque ele começa bem de baixo, pode chegar até minha escuridão e pobreza, sem que eu deva me envergonhar por isso diante dele. À luz do seu amor, posso também expor tudo aquilo que, de outra sorte, eu não gostaria de mostrar a ninguém.

Em suas composições do credo, o gênio da música clássica, W.A.Mozart, enfatiza e repete sempre de novo a palavra “descendit” (isto é, “ele desceu”). Para ele, isto é o ponto decisivo em relação ao mistério do Natal: em Jesus Deus desceu ao nosso mundo, ao caos de nossos sentimentos, à escuridão de nos