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VIDA FÁCIL, OU EXPERIÊNCIAS DE ENCONTRO?

A ordem do dia hoje é “facilitar”. Procura-se facilitar a vida em tudo. Anos atrás era normal crianças caminhar quilômetros para ir à escola; hoje o ônibus busca e traz na porta da casa. Sempre mais a tecnologia possibilita fazer as coisas sem sair de casa: encontros virtuais, pagar contas, receber pagamentos...


Será que facilitar é sempre uma ajuda?


A FACILIDADE AFASTA PESSOAS - Alguns dias atrás li uma pequena e interessante história. Agradeço ao Pe. Jaime Souto por partilhá-la. Aqui a transcrevo.

“Ontem meu pai me pediu para levá-lo ao banco. Passamos uma hora lá até ele ser atendido.

Eu, já sem paciência, não pude resistir, e perguntei:

‘Pai, por que não ativamos o seu banco pelo celular? Assim você não precisará passar uma hora aqui para pagar um boleto... E com o celular o senhor pode até fazer mercado; não precisará sair de casa...’

Então, ele me deixou sem palavras com a sua resposta:

‘Desde que entrei no banco hoje, conversei com quatro pessoas que eu nunca vi na minha vida... Eu vivo sozinho, gosto de me arrumar e vir ao banco. Eu anseio esse toque físico... Há dois anos quando eu adoeci, o dono do mercado onde eu compro frutas veio me visitar. Agora me diga: eu teria isso tudo se fizesse pelo celular?’

O mundo está morrendo porque a facilidade está afastando as pessoas”.


Nem sempre o que facilita, ajuda. Mais do que vida fácil, necessitamos de experiências de verdadeiro encontro.


CAMINHAR JUNTOS – O Sínodo convocado pelo Papa Francisco, nos convida a “caminhar juntos”. É certamente uma resposta e um caminho eficaz para superar o apelo constante de antes, “fique em casa”, que ainda ressoa em nossos ouvidos. A pandemia não só nos levou a ficar em casa, mas alimentou o fechar-nos em nós mesmos, a contentar-nos com o virtual que a tecnologia proporciona, a buscar o mais fácil. O ‘caminhar juntos’ requer sair de casa, levantar-se da poltrona, caminhar, escutar sem preconceitos, acolher, amar... É tempo de repetir: “Não fique em casa!”


ENCONTRAR, ESCUTAR, DISCERNIR – Na missa de abertura do Sínodo, há dois anos atrás (10/10/2021), o Papa falou dos “três verbos do Sínodo”: encontrar, escutar, discernir. O encontro com alguém requer tempo, disponibilidade, atenção. Tantas vezes, nossa pressa impede um verdadeiro encontro. Mais do que buscar facilidades, precisamos hoje facilitar encontros! O encontro é verdadeiro quando estou disposto a escutar. Somente depois da escuta atenciosa e amorosa, sou capaz de dar uma resposta adequada, e não pré-fabricada. Quem escuta com o coração, escuta além das palavras. Às vezes o choro diz mais... Por fim, discernir. A acolhida e o discernimento nos colocam no caminho da verdade. Dum verdadeiro encontro, saio diferente. Cresci. É uma experiência surpreendente.

Mais do que facilitar as coisas, tornemos a vida mais humana! Sejamos homens e mulheres capazes de encontro, escuta, discernimento! E lembremo-nos: “Quem ganhou o coração de alguém, ganhou toda a pessoa” (S. Francisco de Sales) E que Deus seja bendito!



Pe. Aldino J. Kiesel, O.S.F.S.

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