A IMPORTÂNCIA DE OLHAR PARA TRÁS

            A Cáritas Regional já há muito tempo vem trabalhando com populações indígenas, quilombolas e de migrantes, algumas vezes por iniciativa e execução própria e muitas outras vezes em parcerias com entidades como o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), pastoral afro e de migrantes das localidades onde se desenvolvem as ações e reflexões dos projetos em questão.

           Especialmente nestes dois últimos anos, a Cáritas vem desenvolvendo um projeto de âmbito estadual de larga envergadura e com apoio do CEI (Conselho Episcopal Italiano) em que reúne e aprofundam as temáticas de povoados indígenas, quilombolas e migrantes, com reflexões a partir de cada realidade e também em conjunto das três realidades envolvidas neste desafio que se concluirá ao final do próximo ano.

           A Cáritas e seus agentes têm aprendido sobremaneira com este processo que descortina um novo cenário a partir das diversas espiritualidades e materialidades que temos descoberto neste caminhar junto com as três populações que constituem o público alvo de nossas ações.

         Talvez o maior aprendizado tenha sido a importância de olhar para trás e ver a grandeza e o significado destas três realidades. São vidas que resistem ao longo de séculos e que orientam formas de bem viver em nossa formação humana.

            Na verdade não somos absolutamente nada sem olhar para trás e aprender com este olhar, pois a ancestralidade que nos formou é condição pedagógica de projeção do futuro.

            Qualquer projeto de governo ou de nação que não leve em conta o processo histórico de formação desta nação e deste planeta se constitui num projeto alienado, desumano e cruel.

            É justamente este projeto que estamos vivenciando no atual estágio da realidade brasileira e que precisa ser denunciado e urgentemente alterado. Não podemos conviver com ações de governo e um planejamento de Estado (planejamento da ausência do Estado) que desconsidere as políticas públicas voltadas às populações vulneráveis e contemple o resguardo dos mais básicos direitos humanos, além de ainda se caracterizar por declarações públicas dos agentes políticos que são revestidas de sordidez e crueldade.

            A postura do atual governo de descaso total com a invasão de aldeias no Estado do Amapá, com o assassinato de uma destacada liderança indígena na região e com o apoio ostensivo da expansão das atividades de extrativismo mineral em áreas indígenas ilustram sobremaneira este projeto desumano e cruel que não sabe olhar para trás e aprender com a história e projeta de forma arrogante e cruel um futuro caótico, pois descolado de nossa própria ancestralidade.

 

 

 

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