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História

Fundação da Diocese de Pelotas: Antecedentes históricos

 

O núcleo inicial do povoamento “oficial” do Rio Grande do Sul foi o Presídio Jesus Maria José, fundado pelo brigadeiro José da Silva Paes em 19 de fevereiro de 1737, hoje cidade de Rio Grande. O objetivo dos portugueses era proteger as terras da invasão espanhola. Na Vila de Rio Grande, os tropeiros de Laguna e São Paulo vinham comprar gado para depois vender nos lugares onde os paulistanos já tinham encontrado ouro, as Minas Gerais. Assim, iam-se abrindo caminhos de gado que tanta importância teve na formação do Estado do Rio Grande do Sul.

O Pe. Jerônimo Ferreira, presbítero secular, capelão da expedição vinda ao Rio Grande do Sul, nomeado em 10 de fevereiro de 1737 e confirmado pelo bispo do Rio de Janeiro que lhe deu a faculdade de altar portátil, em 2 de março do mesmo ano, rezou a primeira missa diante do painel Jesus, Maria e José, do qual Silva Paes era muito devoto. Nessa ocasião propôs como padroeiros Jesus, Maria, José e São Pedro por se tratar do Rio Grande de São Pedro. Em 1755, construída a nova matriz, passou a chamar-se São Pedro, tido como único padroeiro e assim festejado.   

No século XVIII, as famílias possuíam e conduziam consigo os seus oratórios, imagens, velas bentas e outros objetos de culto católico. Os primeiros posseiros da região que hoje é Pelotas eram provindos da batalha que culminou com a libertação da vila do Rio Grande expulsando os espanhóis em 02 de abril de 1776, dia de São Francisco de Paula, e dos que vieram dispersados da Colônia do Sacramento. Parece basear-se nisso a geral invocação deste orago para o nascente reduto, aonde vinham domiciliar-se os que, em outro lugar, por sua intercessão venceram.

Evoluindo, começou a radicar-se entre os moradores o acentuado desejo; de ter como padroeiro o santo cujo dia assinalou o da vitória e libertação dos portugueses dando-se então a voz  primeira de Povinho de São Francisco de Paula.

Por alvará de 7 de julho de 1812, do príncipe Regente D. João, foi criada a Freguesia de São Francisco de Paula e a 18 de agosto do mesmo ano, ereta por provisão do bispo D. José Caetano da Silva Coutinho. Por esta provisão foi mandado que servisse interinamente de igreja paroquial o Oratório de Nossa Senhora da Conceição, existente na fazenda de Santa Ana do Pavão, que era o único oratório de toda aquela região, de propriedade do Padre Dr. Pedro Pereira Fernandes de Mesquita, e foi nomeado primeiro Vigário o Pe. Felício Joaquim da Costa Pereira. Assim era dado o inicio da paróquia de Pelotas e futura diocese.

O Estado do Rio Grande do Sul, até 1910, era composto por uma única Diocese, chamada Diocese de São Pedro do Rio Grande do Sul, fundada em 7 de maio de 1848 com sede em Porto Alegre, conforme Bula Ad oves dominicas rite pascendas, emitida durante o Pontificado de Pio IX. Pela Bula Ad universas orbis eclesias, emitida em 27 de abril de 1892, passou a ser sufragânea do Arcebispado do Rio de Janeiro.

O primeiro Bispo do Rio Grande do Sul foi D. Feliciano José Rodrigues de Araújo Prates, pároco de Encruzilhada (1853-1858), natural do Estado e de importante família; o segundo, D. Sebastião Dias Laranjeira (1861-1888), nascido na Bahia; o terceiro, D. Cláudio José Ponce de Leão (1890-1910), também baiano. Durante o episcopado de D. Cláudio José Ponce de Leão, foram criadas as novas Dioceses no Sul do Brasil.

A divisão da antiga Diocese de São Pedro constituía-se tanto em benefício da Igreja como dos fiéis. O desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul e o aumento do número de fiéis foram uns fatores que motivaram o desmembramento das grandes dioceses.  Por isso, a 15 de agosto de 1910, foi a Diocese dividida em quatro circunscrições eclesiásticas, pela Bula Praedecessorum Nostrorum, emitida pelo Papa Pio X. Nessa ocasião foram criadas as Dioceses de Pelotas, Santa Maria e Uruguaiana e a Arquidiocese de Porto Alegre. Com este ato instituiu-se, no Brasil, mais uma província eclesiástica, formada pelos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

 

O Processo de Fundação da Diocese

Tratando-se do quesito de ereção de novas dioceses, Pelotas não deixaria de ser escolhida: em primeiro lugar, por sua posição topográfica, sendo a verdadeira capital do Sul do Estado; um comércio e indústria bem desenvolvidos, facilitados não só por suas várias e importantes casas bancárias, como pela estrada de ferro ligando-a ao interior do Estado e os muitos vapores que, cada semana, visitavam nosso porto sobre o rio São Gonçalo.

          Segundo o Pe. Bento Mallmann, um dos principais fatores que levou o Santo Padre a erigir canonicamente a Diocese, dar-nos um episcopus animarum nostrarum, um bispo, foi a penúria espiritual de mais de 300.000 almas. Tal situação, nas palavras do Pe. Bento, provocou um movimento de misericórdia do coração divino. Foi um misereor super turbam (“tenho compaixão desse povo”) o motivo da ereção da Diocese de Pelotas.

Destaca-se, nesse processo, a atuação de D. Cláudio José Ponce de Leão e do ilustre filho de Pelotas, Dr. Bruno Chaves. Este, nascido em 06/07/1864, era médico, porém dedicou-se à carreira diplomática. Atuou como Ministro do Brasil na Santa Sé, tendo influenciado a nomeação do primeiro cardeal brasileiro e sul-americano, D. Joaquim Arcoverde e se empenhado para a Diocese ser criada.

A Bula de Fundação da Diocese de Pelotas

No dia 15 de agosto de 1910, o papa Pio X emitia a Bula Praedecessorum Nostrorum pela qual erigia a nova Diocese de Pelotas, constituindo-a como sede e cátedra episcopal e, ao mesmo, tempo elevando perpetuamente à honra e à dignidade de Catedral a Igreja aí erguida, com o título de São Francisco de Paula, constituindo-a sufragânea da Igreja de Porto Alegre do Brasil, recentemente elevada à dignidade de metropolitana. Seus bispos e sucessores no cargo passaram a submeter-se ao direito metropolitano do Arcebispo de Porto Alegre. A nova Diocese tinha, em seu território, as seguintes paróquias: Pelotas, Povo Novo, Rio Grande, São José do Norte, Santa Isabel, Taim, Arroio Grande, Jaguarão, Santa Vitória, Cerrito, Canguçu, Piratini, Cacimbinhas (Pinheiro Machado), Boquete, Santo Antônio da Boa Vista, São Lourenço, São João Batista da Reserva, Conceição do Boqueirão, Bagé, Lavras, São João Batista do Herval, Estreito, Mostardas e São José do Patrocínio.

O Processo de Fundação da Diocese

No dia 15 de agosto de 1910, o papa Pio X emitia a Bula Praedecessorum Nostrorum pela qual erigia a nova Diocese de Pelotas, constituindo-a como sede e cátedra episcopal e, ao mesmo, tempo elevando perpetuamente à honra e à dignidade de Catedral a Igreja aí erguida, com o título de São Francisco de Paula, constituindo-a sufragânea da Igreja de Porto Alegre do Brasil, recentemente elevada à dignidade de metropolitana. Seus bispos e sucessores no cargo passaram a submeter-se ao direito metropolitano do Arcebispo de Porto Alegre. A nova Diocese tinha, em seu território, as seguintes paróquias: Pelotas, Povo Novo, Rio Grande, São José do Norte, Santa Isabel, Taim, Arroio Grande, Jaguarão, Santa Vitória, Cerrito, Canguçu, Piratini, Cacimbinhas (Pinheiro Machado), Boquete, Santo Antônio da Boa Vista, São Lourenço, São João Batista da Reserva, Conceição do Boqueirão, Bagé, Lavras, São João Batista do Herval, Estreito, Mostardas e São José do Patrocínio.

Fonte: MENDES, Fábio; ALVES, Marcelo (org). Centenários da Diocese de Pelotas. Pelotas: EDUCAT, 2010.

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