• Arquidiocese de Pelotas

Cristão leigo: sujeito ou objeto?


Desde novembro do ano passado nossa Igreja celebra o Ano do Laicato, um ano para refletirmos juntos nossa identidade, missão, vocação e espiritualidade. A Igreja quer também comemorar os 30 anos do Sínodo Ordinário sobre os Leigos (ocorrido em 1987) e da Exortação Apostólica Christifideles Laici (CL), de São João Paulo II, sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo (1988). Há 30 anos estávamos no limiar do terceiro milênio, uma hora dramática de nossa história, mas passado tanto tempo, as necessidades são as mesmas descritas na Christifideles Laici: “As novas situações reclamam com uma força toda particular a ação dos fiéis leigos. O desinteresse foi sempre inaceitável e, no tempo presente, torna-se mais culpável, Não é lícito a ninguém ficar inativo. Há uma crescente necessidade de participação, de ser protagonistas e criadores de uma nova cultura humanista.” (CL, n° 3) Assumir a corresponsabilidade, o protagonismo, a participação na comunidade eclesial, construindo o Reino de Deus, faz do leigo um sujeito eclesial. O leigo é verdadeiro sujeito eclesial mediante a graça do batismo, vivendo a condição de filho de Deus em comunhão com os pastores. Assume direitos e deveres, sem submissão servil e sem contestação ideológica. Ser sujeito eclesial significa: ser maduro na fé, testemunhar amor a Igreja, servir os irmãos e irmãs; permanecer no seguimento de Jesus, na vida segundo o Espírito, na comunhão eclesial, como também ter coragem, criatividade e ousadia para testemunhar Jesus Cristo. Infelizmente ainda hoje vivemos a realidade descrita no Documento de Santo Domingo (1992): “A maior parte dos batizados ainda não tomou plena consciência de sua pertença a Igreja. Sentem-se católicos, mas não Igreja.” (DSD n° 96) e corremos o risco da alienação, da acomodação e da indiferença. No entanto, mais que no passado, temos hoje as condições eclesiais, as condições sociais, políticas e culturais e as bases eclesiológicas para que o cristão leigo exerça sua missão como autêntico sujeito eclesial, apto a atuar na Igreja e na sociedade e a promover uma relação construtiva entre ambas. (Doc 105, CNBB) E então, voltando ao título desse texto: leigo, sujeito ou objeto? Jesus foi verdadeiramente sujeito de sua vida e seu ministério. Ser cristão é agir como Cristo agiu, como Ele agiria. Compreendesse a resposta da pergunta? Leigo é sujeito, é quem faz, é ser sal e fermento à luz do Evangelho... mas pensando bem...é também objeto da ação do Espírito Santo. Em outras oportunidades seguiremos refletindo sobre nossa missão, vocação, identidade.

Paz e bem!

Marcelo Alves Coordenação Arquidiocesana de Leigos


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