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DECEPÇÃO, CONVERSÃO, VIDA NOVA

  • Foto do escritor: Arquidiocese de Pelotas
    Arquidiocese de Pelotas
  • há 2 minutos
  • 3 min de leitura

A parábola do semeador

Jesus havia utilizado o raciocínio lógico para levar à conversão. Não deu certo, ele não foi acolhido. Mas ele não perde a esperança. Agora recorre às parábolas. A parábola traz a vantagem de ser envolvente. Ninguém pode ficar indiferente. Ela convida a olhar para dentro de nós mesmos; traz a verdade que vem de dentro. Diante da parábola não há como fugir. Ela chega ao coração do ouvinte.


O evangelho do semeador (Mt 13,1-23) conta uma história decepcionante. Falar de semente é falar de esperança. Mas, a decepção logo aparece: os pássaros comem a semente; o solo pedregoso impede que ela crie raízes; as plantas espinhosas as sufocam... tudo vai num caminho decepcionante, desesperador.


Os terrenos

Dos quatro terrenos, em três deles o resultado foi nulo, totalmente nulo. Não deu nada! Somente o último terreno produziu frutos. Em outras palavras, 75% das sementes se perderam! Muito decepcionante para qualquer trabalhador do campo!


Onde está o problema? Poderia ser a semente ruim, ineficaz. Ou poderia ser culpa do semeador, que semeia no tempo errado. Jesus diz que o problema não está na qualidade da semente – a palavra de Deus é sempre boa! – e nem no semeador. A parábola focaliza no terreno onde a semente é semeada. É o terreno que define a eficácia ou não da semeadura. E o terreno somos nós, é a nossa mente e o nosso coração.


Nós, os terrenos

Será que temos que reconhecer que é isso mesmo que acontece: de cada quatro pessoas que ouvem a palavra de Deus, somente uma ela leva à conversão, à nova mentalidade, nova vida? Sim, é frustrante, mas a pergunta está aí. Os pais e padrinhos prometem, solenemente, educar na fé e introduzir na vida em comunidade. Catequistas se esforçam durante anos para evangelizar os que fazem a Primeira Eucaristia e que são crismados. Onde estão os que receberam esses sacramentos da iniciação cristã?


Jesus é o semeador. Ele veio trazer ao mundo a semente da Palavra, para criar a nova humanidade. Vale a pena semear? Há dois mil anos o Evangelho está sendo pregado e onde está a nova humanidade? A guerras continuam, a violência e o egoísmo parece que só aumentam... Por que semear?


Na parábola há uma esperança, uma terra boa que dá cem por um. É com o olhar de Jesus que devemos ler essa história, e devemos lê-la até o fim. Não tiremos nenhuma conclusão antes do seu fim.


O que fazer?

Reconheçamos que em cada um de nós há algo dos quatro terrenos. A terra dura, onde a semente não penetra: quantas vezes resistimos ao Evangelho quando ele nos pede um novo modo de pensar? Peçamos ao Senhor que tire de nós o coração de pedra e coloque o coração de carne. O terreno pedregoso: sentimo-nos tocados pelo sermão do padre, mas ao sair da porta, o que acontece? Mudamos? Busquemos a experiência profunda de Deus, a Sua santa vontade. O terreno com espinhos: olhemos para nossas preocupações com pequenas coisas, o ativismo frenético, o apego ao material, o carreirismo, a busca de ser o centro em tudo. A melhor ferramenta de transformação é a oração. O terreno bom é o do coração livre e fecundo. Que beleza!


Senhor, dai-nos um coração puro e um espírito decidido!

Deus seja bendito!

Pe. Aldino José Kiesel, OSFS

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